Leitores Online

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A estratégia por trás do iPhone 5c


Há alguns dias, estreei no MacMagazine com um post falando sobre as possíveis consequências do preço do iPhone 5c.

Por que esse assunto é importante? Porque a estratégia de preço da Apple para este produto específico pode representar seu sucesso ou fracasso em mercados altamente disputados, como a Ásia. E pode ainda conter o crescimento do Android.

Pois bem. Agora não é mais futurologia. Os preços e modelos foram divulgados ontem e, exatamente pela importância do assunto, acho que vale um debriefing.

O iPhone 5c foi posicionado entre o 5s e o 4s. Até aí, nenhuma surpresa.

Os preços foram colocados abaixo da faixa de US$200, como esperado — US$99/US$199 (16GB/32GB). O problema, no entanto, está no fato de que esses preços referem-se ao iPhone 5c com um contrato mínimo de dois anos.

Sem contrato, como provavelmente será o caso de boa parte dos consumidores nos mercados para os quais imaginávamos que a Apple apresentaria um produto popular, os preços sobem para US$549/US$649 (16GB/32GB).

Ou seja, o iPhone 5c definitivamente não é um produto popular.

E mais: tem o preço que se esperaria para o iPhone 5 com desconto, agora que o 5s chegou. Só que, apesar de ter quase as mesmas características do agora descontinuado 5, é muito mais barato para ser produzido. Assim, crescerá a margem de lucro da Apple. Maior, obviamente, do que se o 5 fosse vendido com desconto.

A conclusão do analista português Paulo Santos é muito importante: este detalhe na política de preço anula o risco de canibalização entre 5c e 5s.

Na verdade a Apple enganou a todos, criando um produto mais barato, com maior margem e se livrando do risco de canibalização e redução de margem que a manutenção do iPhone 5, com desconto, representaria.
 
Se essa é uma notícia que deve levar as ações para cima, a má é que a Apple não tem um produto forte para o consumidor que procura um smartphone low-end. A esperança fica por conta de uma alta penetração com preço subsidiado nas operadoras China Mobile e NTT DoCoMo, o que dificilmente impedirá que o Android continue a crescer seu market share.

Ficamos, assim, com a seguinte estratégia: a Apple empurrou com a barriga o problema da hegemonia de mercado. Os lançamentos são ótimos para garantir acionistas felizes com os dividendos, mas não fazem frente ao crescimento do Android.




Por: Mentor Muniz Neto / Mercado

Nenhum comentário: