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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Está na hora de trocar o seu PC? A Intel diz que sim


Como a última IDM (que tanto projeta quanto fabrica circuitos) em operação e maior companhia de semicondutores do mundo, a Intel tem uma responsabilidade e tanto ao servir como termômetro para o mercado de computadores em geral. A hegemonia da empresa no setor se tornou basicamente inquestionável quando o seu programa de desenvolvimento conhecido como “tick-tock” começou em 2007 – nenhuma concorrente conseguia acompanhar esse ritmo, especialmente entre os lançamentos do Sandy Bridge e do Haswell. Renovar a linha de processadores anualmente é um tremendo feito de engenharia (e deve deixar os investidores muito felizes), mas essa estratégia beneficia o consumidor? Durante uma apresentação realizada hoje, a Intel tentou provar que sim com a chegada do Broadwell (5ª geração de processadores) ao mercado nacional.

O Broadwell é um “tick”, ou seja, um die shrink. Basicamente, a Intel está levando a arquitetura Haswell para um processo de manufatura mais avançado, diminuindo o do bloco de silício de 22 nm para 14 nm ao mesmo tempo em que aumenta a contagem total de transistores. Mais transistores em uma área menor quer dizer duas coisas: mais dinheiro para a Intel (pois mais chips podem ser produzidos a partir de um dado wafer) e mais eficiência energética para o usuário (pois um número maior de transistores é ativado por uma voltagem igual ou menor, como prevê a Escalada de  Dennard).

 Mais concretamente, a Intel promete avanços como uma melhora de 22% no processamento gráfico e codificação de vídeo até 50% mais rápida em comparação com um dos chips da geração passada. A evolução dos processadores da Intel é inegável, mas sua necessidade não é sempre evidente para os consumidores. Que os eletrônicos se tornarão cada vez menores e mais rápidos já uma expectativa tida como natural para a maioria do público e ganhar alguns segundos na hora de converter um vídeo pode até fazer alguma diferença para uma grande empresa, mas não para um pai que edita um filme de seus filhos.

Mas também é verdade o fato de que a maioria das pessoas não troca de notebook anualmente. 

Citando dados de Fevereiro de 2015, a Intel constatou que a maioria dos notebook em operação no país tem entre 3 e 5 anos. Portanto, se você está procurando uma máquina nova hoje, há grandes chances de que você não estará comparando um computador com um chip Haswell por outro com Broadwell. Para esse enorme conjunto de consumidores, os avanços de desempenho e consumo energético serão óbvios. Durante a apresentação, a Intel rodou uma operação simples de codificação de vídeo em duas máquinas (uma redução de resolução de 1080p para 640p), uma com um chip Westmere  e outra com o Broadwell. A mesma tarefa que demorou alguns minutos na primeira acabou em 18 segundos na segunda.

Embora a comparação pareça ser injusta, a visão da Intel provavelmente está mais próxima da realidade do mercado, especialmente no caso de países em desenvolvimento como o Brasil. Mas isso também não significa que quem estiver precisando de um notebook deva investir em uma máquina com Broadwell agora. Embora notícias sobre o fim da Lei de Moore sejam basicamente sensacionalismo por enquanto, o fato é que a busca por chips cada vez mais densos têm se tornado particularmente difícil.

A própria Intel, apesar de seu gigantismo, enfrentou atrasos na produção dos chips Broadwell, o que encurtou a janela de lançamentos da empresa. Skylake, a próxima arquitetura no programa tick-tock, deve chegar ao mercado internacional na segunda metade deste  ano. Como ela utiliza o mesmo processo de manufatura que o Broadwell, não há motivo para que ela enfrente o mesmo tipo de atraso que fez com que a 5ª geração só chegasse no Brasil agora. Portanto, apesar dos desejos da Intel, talvez seja melhor esperar até o natal para trocar de notebook.




Por: Leonardo Veras / Gadgets INFO / Processadores

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