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domingo, 10 de maio de 2015

Na mão: Apple Watch Sport


Ninguém além dos executivos da Apple sabe exatamente quando (e a que preço) o Apple Watch chegará oficialmente ao Brasil, mas nós da Info tivemos a oportunidade de usar um dos modelos do relógio por algumas horas e ele já tem aplicativos brasileiros.

Para quem já lidou com vários smartwatches, o primeiro aspecto que chama atenção é o quão compacto ele é. Usei o modelo maior, de 42 mm, e mesmo este se torna minúsculo diante de smartwatches como o Samsung Gear S e alguns relógios analógicos como o Tag Heuer Aquaracer. O próprio Moto 360, que elegemos como o smartwatch de melhor design na época de seu lançamento, é cerda de 20% mais volumoso que o Apple Watch de 42 mm.

 O que garante uma vantagem significativa para o Moto 360 é a moldura da tela, ou melhor, sua quase inexistência no caso do aparelho da Motorola. A moldura do Apple Watch pode não ser grande e o alto contraste da tela aliado às bordas redondas acaba fazendo com que ela possa quase ser ignorada, mas ela está lá. Por outro lado, a tela quase sem moldura do Moto 360 às vezes produzia um efeito estranho de aberração cromática nas bordas. Quanto à tela em si, ambas são similares, ou seja, excelentes. Esta é a primeira vez que a Apple usa um display de OLED (ironicamente, Tim Cook havia chamado a tecnologia de “horrível” anos atrás), e eles fizeram um trabalho incrível de calibração de cor. Como sempre, o contraste também não desaponta.

O alumínio anodizado que definiu o visual e o tato de tantos aparelhos da Apple continua sendo efetivo nessa versão do Apple Watch Sport. Embora as versões mais caras do relógio se diferenciam justamente pelos materiais (cristal de safira, aço e ouro 18 quilates), o Sport não deixa de ser um dos smartwatches mais bem acabados dessa geração. Ele é extremamente leve e confortável de se usa no pulso. Ainda assim, a Apple tomou algumas decisões questionáveis nesse aspecto.

Chamar um relógio de “Sport” e limitar à certificação IPX7 (imersão na água até 1 m por 30 minutos em condições controladas) quando o assunto é vedação contra pó e água é uma atitude um tanto oblíqua. Nadar com esse relógio para “esportes”, por exemplo, não é aconselhável. A escolha de proteção para a tela também pode deixar algumas pessoas frustradas. O que a Apple chama de “Ion-X” é exatamente a mesma proteção presente nos displays do iPhone 6 e o iPhone 6 Plus e não se trata de nada muito diferente de um Gorilla Glass. Para um smartphone isso pode ser suficiente, mas um relógio passa bem mais tempo exposto à “delicadeza” do ser humano médio. É verdade que nenhum outro fabricante foi além da Apple nesse ponto até agora, mas isso não muda o fato de que eles podem melhorar.

Por outro lado, a Apple parece ter sim ido além quando o assunto é performance. Dos relógios que usei até agora, incluindo Andorid Wear e Tizen, o Watch me pareceu o mais consistente. As animações fluem muito bem numa frame rate consistente e os apps carregam rapidamente. 

Naturalmente, essa impressão pode mudar com o tempo. A parte mais impressionante do sistema, sem dúvida é a coroa de controle na lateral. Ela é tão imediata e precisa na resposta aos comandos que até parece uma peça analógica.

Por outro lado, existem alguns pontos que a Apple deveria polir mais. A habilidade de visualizar todos os aplicativos ao mesmo tempo, por exemplo é um tremendo passo a frente para as interfaces de smartwatch, mas os ícones deveria ser mais distintos e é fácil se confundir. Outro ponto é que as faces de relógio disponíveis não são tão úteis ou atraentes. Isso é particularmente importante porque a Apple, pelo menos por enquanto, não permite que terceiros desenvolvam novas faces, como acontece no Android Wear.

O sistema, é claro, não tem ainda suporte ao português. No entanto, como a Apple disponibilizou ferramentas de desenvolvimento há um tempo considerável, algumas empresas brasileiras já começaram a trabalhar em apps para o aparelho. Uma dela é o Bradesco, que já lançou uma versão do Bradesco Prime para Apple Watch na App Store e tem mais dois aplicativos a caminho.

 As funções do app são bem simples, mas se encaixam muito bem na proposta de informação rápida de um smartwatch. Com ele é possível checar seu saldo rapidamente, visualizar o token para efetuar operações e encontrar a agência mais próxima do Bradesco usando o GPS do celular. Os dois primeiros recursos são particularmente interessantes. Na questão do saldo, por exemplo, como o usuário estará usando o Watch apreado com um iPhone com biometria, não é necessário sacar o aparelho para digitar um PIN antes de visualizar o número. O token também é bem útil porque ele está sempre ativo no app e no Glance, uma espécie de centro de notificações do Watch.

Embora já seja possível discernir alguns tropeços por parte da Apple, nossa primeira impressão do Watch é muito positiva. Veremos se ele conseguirá mantê-la até publicarmos o review completo, que estará na próxima edição da revista.




Por: Leonardo Verass / Gadgets INFO / Smartwatches

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